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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Você faz Questão de um Cão de Raça? Pense duas Vezes...


É bastante comum que na busca pela companhia de animais utilizemos critérios raciais como determinante de escolha. Isso não acontece à toa, vamos à livraria para pesquisar sobre cães e os livros nos dizem qual raça é boa para apartamento, qual raça é boa para se ter com crianças, qual raça fornece bons cães de guarda . . . Os pacotes de rações para cães trazem sempre imagens de rottweilers, labradores, cocker spaniels ou dachshunds, sempre cães de raça; igualmente as propagandas de produtos voltados para esse mercado ou que utilizam cães apesar do produto não estar relacionado.


Há, portanto, um apelo para que "consumamos" cães de raça e para que, por outro lado, desprezemos cães que não sejam de raça. É verdade que esse "estigma do cão vira-lata" esteja menos forte atualmente do que estava 15-20 anos atrás, mas ele ainda persiste.

Por outro lado, tendemos a considerar errado julgar as pessoas por sua raça. Pessoas normais não escolhem, por exemplo, ter amigos brancos ou japoneses e desprezam possíveis amigos negros ou índios, apenas com base em critérios raciais. Tampouco não vemos com bons olhos publicações que tentam associar determinadas raças humanas com determinados padrões de comportamento. E mesmo que possamos definir com certa precisão nossa linhagem ancestral, não é de bom tom sustentarmos isso como indício de superioridade ou em conotação de pureza. E se isso não é bom ou certo no caso de seres humanos, também não o é em relação aos cães e outros animais.

O que são cães de raça?



Como no caso das raças humanas, não há uma sustentação científica para o conceito de raças caninas. Todos os cães pertencem à espécie Canis familiaris (ou mais recentemente Canis lupus familiaris) e descendem de lobos cinzentos (Canis lupus), que foram domesticados provavelmente há 100 mil anos. Cães são, portanto, uma subespécie de lobos cinzentos.

Do lobo para o cão há uma grande diferença, mas 100 mil anos de seleção artificial foram suficientes para que o ser humano desenvolvesse milhares de variedades de cães. Os primeiros critérios adotados pelo ser humano para a seleção de animais de companhia foram sua mansidão. Lobos muito agressivos eram difíceis de manter; por outro lado, animais mais mansos eram preteridos.

O geneticista russo Dmitri Belyaev observou, quando da domesticação de raposas, que após algumas gerações de procriação seletiva os animais se tornavam mais mansos e desenvolviam comportamentos característicos de cães domésticos que não eram expressos em raposas silvestres. Mais do que isso, algumas gerações após a domesticação esses animais passavam a apresentar orelhas moles, focinhos mais curtos, padrões distintos de pelagem e cauda erguida. Possivelmente, os genes que regulam essas características são, tanto o lobo quanto na raposa, ligados aos genes que conferem aos animais maior mansidão.

Podemos entender, por esse estudo de Belayev conduzido em poucas gerações, o que milhões de gerações fizeram ao lobo, possibilitando o surgimento de variedades de descendentes tão distintos quanto um chiwawa ou um dogue alemão. E ainda assim, todos cães domésticos.

No entanto, quando consideramos geneticamente, o conceito de raças caninas não faz sentido. O que existe sim são grupos de animais cruzados seguidamente entre si para expressar determinadas características que lhes confere visível semelhança, e algumas vezes a propensão a determinada índole. Mas é só.

Exceto por uma acentuada aparência externa, nada distingue uma raça canina de outra. Existem, obviamente, linhagens que são maiores e linhagens que são menores, linhagens mais agitadas e menos agitadas, linhagens que se morderem alguém causarão um estrago maior do que outras, até por sua força física . . . mas todas essas características podem ser encontradas também em cães chamados "sem raça definida" - SRD.

Uma pessoa que busca simplesmente um companheiro canino não precisa adquirir um guia de raças que garante que tal linhagem expressa determinado comportamento, não precisa ir a um canil adquirir um cão com pedigree por um preço que pode variam de R$ 200 a R$ 2.000, até porque amigos não se compram.


O que Determina que Cães são de Raça?

O que determina que certo cão pertence a certa raça, que um segundo cão pertence a uma raça diferente e que um terceiro cão pertence a um grupo sem raça definida é um critério absolutamente artificial. Cães não se reconhecem a si mesmos como pertencentes a raças distintas, como ocorre no caso de raças surgidas de maneira natural. Mas se não é algo natural, de que forma os critérios raciais surgiram para cães?

Desde sua domesticação, os cães foram empregados pelo ser humano em diferentes serviços (pastoreio, boieiros, caça de pequenos e grandes animais, caça de aves aquáticas, farejadores, guarda, corrida, etc.). Mesmo sem conhecer os fundamentos da genética antes de Mendel, o ser humano sabia, por fatores empíricos, que se cruzasse cães com determinadas características e aptidões teria maior chance de encontrar essas mesmas características em suas proles.

Esse processo se acentuou ainda mais a partir do surgimento dos Kennel Clubs, no século XIX. Desde então, cães já não eram mais cruzados para fornecer animais mais aptos para realizar trabalhos, mas simplesmente como hobby, com o intuito de selecionar os que expressassem determinadas características físicas. Para alcançar as características desejadas, valia até mesmo apelar para o endocruzamento, ou seja, o cruzamento entre irmãos, país e filhos, avôs e netos, etc.

Os Kennel Clubs criaram o sistema de registro de raças, onde das milhares de linhagens selecionadas ao longo destes 100 mil anos de domesticação e que persistiram até os dias de hoje, entre 150 e 400 variedades são hoje reconhecidas como raças (o reconhecimento de uma determinada linhagem como raça varia de Kennel Club para Kennel Club).

Uma pessoa que pegue um livro sobre raças caninas do mundo inteiro poderá identificar nas fotos determinados padrões de cães conhecidos e que nem mesmo sabia pertencerem a raças. Isso porque esse padrão racial somente é reconhecido em determinadas localidades, por determinados Kennel Clubs. Vira-latas poderiam, portanto, ser incluídos dentro de determinadas raças, ainda que não pudessem ser considerados puros, por desconhecermos sua procedência.

Apenas esses fatos já servem para demonstrar que o conceito de raças caninas não é um conceito bem fundamentado.

Consequências do Repetido Endocruzamento de Cães


Embora a seleção artificial de cães remonte ao paleolítico, o conceito de raças caninas, que devem obedecer a determinados padrões, possui menos de 150 anos. Algumas raças atuais remontam a tempos bastante remotos, como é o caso do cão d´água português, que possivelmente já era criado pelos fenícios, o afghanhound, que remonta ao século III a.C., do Rottweiler, já utilizado pelos romanos e de tantos outros, no entanto essas raças, como dito, formaram-se a partir de diversos animais distintos que expressavam determinadas aptidões e características. Não havia uma pressão para que os cães não se misturassem com outras linhagens e endocruzamentos praticamente não ocorriam, e quando ocorriam, eram acidentais.

Mesmo sem conhecer os mecanismos da genética, o ser humano sempre soube, de maneira empírica, que o cruzamento entre irmãos ou entre pais e filhos criava uma prole mais frágil. Hoje sabemos que isso acontece porque com o endocruzamento aumenta a possibilidade de que genes raros recessivos se manifestem no organismo. Quando existe uma variabilidade genética, mesmo com a presença de genes raros deletérios na população, estes raramente se manifestam, porque a própria seleção natural cuida de eliminá-los. Mas quando a variabilidade genética é pequena, e os animais se cruzam apenas entre si, então surgem as doenças.

Podemos dizer que todos os schnauzers, poodles, dachshounds, cockers, weimaraners e bulldogs são parentes entre si. Não parentes no sentido que todos os cães são entre si, ou que todos os seres humanos são entre si. Eles são parentes em primeiro grau, no máximo em segundo grau. Um cão maltês que nasce na França é praticamente um irmão de sangue de um cão maltês que nasce no Brasil. Há pouquíssima variabilidade dentro desses grupos.

As consequências dessa baixa variabilidade genética dentro das raças caninas é a grande ocorrência de defeitos congênitos (nascimento de animais com defeitos de formação), a manifestação de doenças e a baixa longevidade.

Existem mais de 500 doenças genéticas conhecidas nos cães, todas elas associadas à baixa variabilidade genética existente dentro das raças. Raças como os poodles apresentam diversas doenças endócrinas, tumores de mama, hidrocefalia, epilepsia e outras doenças. Cockers manifestam grande incidência de cataratas, glaucomas e doenças da retina, doenças dos rins e displasia coxo-femural.

Pit bulls, rottweilers e pastores alemães também apresentam maior incidência de displasia coxo-femural. Outras doenças características do pit bull são a sarna demodécica, problemas de rompimento do ligamento cruzado e parvovirose. A parvovirose também incide com maior frequência em Rottweilers, que também sofrem com maior frequência de problemas relacionados ao complexo gastroentérico. Pastores alemães manifestam maior incidência de ataxia, epilepsia, doença de Von Willebrand (problemas de coagulação), cegueiras causadas por pannus oftálmico ou queratite superficial crônica. Labradores são acometidos por cerca de 20 doenças genéticas, entre elas displasia coxo femoral, retinal, catarata, ausência de testículo, etc.


Dachshunds apresentam alta incidência de artrite. Além disso, sua coluna longa ocasiona em maior incidência de problemas de coluna, hérnia de disco, eles são mais propensos a desenvolver problema de cálculos renais, tumores mamários e otites. Como os animais com pernas mais curtas são mais valorizados, essa característica é selecionada pelos criadores, ocasionando em animais com pernas tão curtas que acabam arrastando a barriga e as orelhas no chão. Entre os yorkshires existe maior propensão à endocardiose, hidrocefalia, diversas afecções dermatológicas, musculoesqueléticas, cânceres de testículo e de hipófise, colabamento traqueal, hiperadrenocorticismo, nefropatias e afecções urinárias diversas, várias gastroenteropatias, catarata, atrofia da retina, distrofia da córnea, conjuntivite. O pinscher, além da sarna demodécica, com frequência apresenta epilepsia, problemas cardíacos e problemas de luxação de patela (rótula), que pode até demandar uma cirurgia.

Além dessas doenças genéticas, há ainda outro problema relacionado ao cruzamento endogâmico, que é o favorecimento de características estéticas que resultam em comprometimento da vida do animal. Por exemplo, o padrão de raça estabelecido para dachshunds diz que quanto mais baixinho, melhor.

Então o criador busca produzir animais que literalmente se arrastam pelo chão, pois esses são mais valorizados. É óbvio que para o animal isso resulta em péssimas condições de vida e muitos desses "salsichinhas" até evitam se locomover muito. Cães da raça rhodesian ridgeback necessitam, por padrões raciais, apresentar uma faixa saliente no dorso, e para isso que são selecionados. Essa faixa apenas se forma no animal como consequência de uma espinha bífida, portanto, selecionar animais para que apresentem essa crista nas costas é selecionar para que nasçam com esse problema. Essa crista ainda propicia que um quisto (sino dermóide) se desenvolva entre os tecidos subcutâneos e o tecido muscular, causando infecção. Nos canis comerciais, quando um rhodesian ridgeback nasce sem a crista, frequentemente ele é morto antes que a noticia se espalhe. Isso é indício de comprometimento da qualidade do plantel.

Raças como o sharpei e o mastiff napolitano tem como padrão racial a necessidade de apresentar pregas na pele. E quanto mais pregas melhor.

Ocorre que essas pregas são regiões propensas ao acúmulo de sujeira e umidade e, como consequência, ao surgimento de dermatite, seborréia e micoses. Além disso, pregas demais limitam os movimentos do animal, comprometendo também sua visão. Muitas vezes são necessárias cirurgias para remover pregas da frente dos olhos. Adicionalmente, sharpeis apresentam problemas de tireóide, problemas de pele e pelo e mal funcionamento do fígado e dos rins, o que ocasiona em dificuldade de biotransformar e eliminar toxinas do organismo. Sharpeis também com frequência apresentam mordedura prognata, ou seja, os incisivos da arcada inferior se fecham à frente dos incisivos da arcada superior.

Algumas raças de cães, como os bulldogs, o boxer, o pequinês e o pug apresentam mordedura prognata como padrão de sua raça. Em muitos casos o prognatismo é tão acentuado que, mesmo quando o cão está com a boca fechada, pode-se ver seus dentes e a língua. No padrão dessas raças também há uma valorização de animais com cabeça curta, alta e enrugada, focinho curto, enrugado e voltado para cima, com narinas amplas, o que torna sua respiração pesada e difícil. Com frequência esses animais apresentam prolapso dos olhos (olhos saltados da órbita, ou caídos) e pernas tortas. Esses animais tem maior propensão a apresentarem problemas cardíacos, com grande incidência de cânceres, problemas articulares e epilepsia.

Portanto, ao buscarmos por animais que obedecem a determinados padrões raciais estamos buscando pela expressão de características artificialmente selecionadas e que com frequência representam doenças e má qualidade de vida para o animal. Ao selecionar animais de acordo com suas características raciais, agimos como nazistas ou eugenistas, que estabeleceram padrões para a forma como seres humanos devem ser. Além disso, agindo dessa forma estamos contribuindo para toda uma cadeia de negócios fundamentada na exploração animal.

A Exploração dos Cães de Raça

Quem pensa em cães como companheiros, melhores amigos do homem, etc., deve pensar duas vezes antes de comprar um cão em um pet shop. Cães vendidos em pet shops possuem exatamente os mesmos sentimentos que qualquer outro cão. São dóceis, companheiros e adoram a companhia humana. Porém, junto com tudo isso, ao comprar um cão o comprador adquire um certificado de linhagem (pedigree) e toda a história de sofrimento que está por trás desses animais. Animais de pet shop podem ser animais fofinhos pelo ponto de vista do comprador, mas pelo ponto de vista do produtor de animais e do vendedor, eles são apenas produtos ou mercadorias.

O objetivo de um criador de cães é o lucro e ele só alcança esse lucro se conseguir maximizar sua produção. Para que isso aconteça, ele deve fazer com que seus cães se reproduzam o máximo possível. Isso significa que cada fêmea matriz deve ter o máximo de ninhadas no menor tempo possível. Os filhotes nascidos nessas condições abastecem a "indústria dos animais de estimação".

Os canis que fornecem animais de raça para abastecer a esse mercado podem variar desde indivíduos que possuem algumas fêmeas matrizes, até grandes canis comerciais contendo dezenas, centenas de animais. Em todos os casos, quem sai perdendo são os cães. Animais são condicionados a viverem por toda a sua vida em gaiolas recebendo apenas água e alimentos, produzindo ninhada atrás de ninhada, até que sua vida reprodutiva acabe e seja ela mesma comercializada ou abandonada em algum local. Filhotes nascidos sem as características raciais consideradas dentro do padrão ou com leves imperfeições são mortos de imediato, pois a presença desses animais na ninhada compromete a imagem das matrizes. Após um breve período mínimo de amamentação esses animais são encaminhados para pet shops onde são vendidos para pessoas que mal conhecem sua história de sofrimento anterior.

Sim, a exploração de cães em canis é uma forma de exploração animal tão grave quanto qualquer outra, E não se trata realmente de fazer uma distinção entre o "bom" criador e o "mal" criador, ou de criticar o comércio de fundo de quintal e valorizar o comércio que ocorre sob supervisão de um Kennel Club ou de alguma entidade de proteção animal. A criação de cães de raça é em si um erro, porque ela produz animais que em verdade só existem para atender à futilidade e aos padrões de estética que nós estipulamos. Seres humanos que de fato gostam de cães não fazem distinção entre cães de raça e cães sem raça definida.

Quem Deseja um Amigo de Verdade . . .

Uma pessoa que realmente deseja ter um cão como amigo, e não como um produto, uma mercadoria, não faz distinção entre um cão de raça e um cão sem raça definida. Os cães são sinceros em sua amizade para conosco, eles não fazem julgamentos se somos brancos ou negros, altos ou baixos, milionários ou mendigos, perfeitos ou deficientes, cabeludos ou carecas . . . eles nos aceitam como somos porque seu amor é desinteressado.

Para que nossa parte da amizade possa ser tão sincera quanto o é a parte deles, precisamos ser tão desinteressados quanto eles mesmos. Ter amizade é querer o bem. Queremos que nossos amigos vivam muito, sejam saudáveis . . . não que tenham pedigrees e doenças genéticas, ou que satisfaçam nosso ego e sejam abandonados quando enjoarmos deles. Queremos que nossos amigos sejam criaturas que vivam conosco porque nos adotamos mutuamente e porque precisamos deles tanto quanto eles precisam de nós.

Amigos não se compram. Se adquirimos nossos amigos de estabelecimentos que lucraram com sua exploração, nossa parte da amizade não é sincera. Amigos não tem beleza ou feiúra. Se escolhemos nossos amigos com base em características estéticas não são amigos o que procuramos. Amigos não são feitos em formas, não obedecem a padrões, não tem raça. Eles vem do jeito que vierem e nós os amamos. Um cão em nossa casa é companhia garantida. Alegria não de possuir um bem, mas de manter um amigo, compartilhar nossa vida com alguém por muitos anos.

Artigo: Você faz Questão de um Cão de Raça? Pense duas Vezes...

Por.: Sérgio Greif (sergio_greif@yahoo.com (É Biólogo, Mestre em Alimentos e Nutrição, membro fundador da Sociedade Vegana, autor de livros, artigos e ensaios referentes à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação, à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano e aos direitos animais, entre outros temas.)
Fonte: site Olhar Animal

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Assim começa a carreira de um psicopata


A ANDA estreia, com exclusividade, uma série de matérias recheadas de pesquisa, entrevistas, curiosidades e indagações com o propósito de sensibilizar a população, as autoridades e a Justiça sobre o alto grau de periculosidade das pessoas que matam animais em série ou em massa e cujo rastro de sangue e dor pode ser contido se forem investigadas, detidas e monitoradas.
Animais incendiados ou enterrados vivos, espancados até a morte, enforcados, torturados, envenenados ou mortos por injeção letal – todos esses procedimentos são comuns em psicopatas. O alvo predileto: criaturas frágeis, indefesas, fáceis de capturar e manter sob seu domínio – e os animais se enquadram em todos os itens, assim como as crianças, mulheres e idosos que, numa segunda etapa da vida de um psicopata, podem se tornar seus alvos.
Segundo estudos do FBI, na sua grande maioria (cerca de 80%), os psicopatas começam a carreira matando animais. Por isso, em países como Estados Unidos e Inglaterra, os matadores de animais já são tratados e julgados de forma diferenciada que avança para muito além do crime de maus-tratos a animais. Nesses locais já se entende que deter esses indivíduos ou monitorá-los, quando começam a matar animais na infância, representa uma medida preventiva, de proteção não somente aos animais, mas a toda a sociedade.
Assinadas pela jornalista Fátima Chuecco, colaboradora da ANDA e sempre atuante no jornalismo pela causa animal, as matérias levantarão os casos dos psicopatas mais famosos do Brasil e no Exterior a fim de instigar a reflexão e motivar que casos onde se percebe comportamento psicopata sejam avaliados de forma mais ampla e recebam a punição adequada para evitar que os crimes continuem se propagando e, inclusive, migrando, da matança de bichos para o assassinato de pessoas.
Histórias impressionantes desfilarão pela série que estará também fornecendo canais para denúncias e dicas de como identificar indivíduos de perfil psicopata. Afinal, eles estão entre nós e muitas vezes ninguém percebe! Podem se esconder no disfarce de um simpático ou bondoso vizinho. É muito importante denunciar todo e qualquer matador de animais seja ele matador em série, em massa ou temporário.
Deter esses indivíduos salva a vida de animais e de pessoas. À propósito, no Brasil, 80 mil crianças desaparecem por ano. É um número extraordinariamente alto. Elas somem sem qualquer indício de seqüestro ou pedido de resgate e podem estar caindo nas mesmas mãos daqueles que assassinam animais.
Capítulo Quatro
Um psicopata a cada quadra
(Foto: Reprodução/Internet)
É assustador saber que a cada 100 pessoas, quatro são psicopatas segundo pesquisas americanas. Isso quer dizer que podemos encontrar um psicopata em cada quadra e pelo menos 5 milhões deles só no Brasil. Isso explica porque são tão comuns os envenenadores de cães e gatos. Quem nunca morou perto de um desses matadores de animais em série?
Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem uma estatística um pouco mais otimista: uma em cada 100 pessoas teria tendência à psicopatia. No entanto, nem todo psicopata se torna assassino de bichos ou pessoas. O National Institute of Mental Health (Instituto Nacional de Saúde Mental) dos EUA diz que 47% deles chegam a cometer crimes violentos, enquanto que os demais destilam sua agressividade no ambiente de trabalho, dentro de suas casas ou nos relacionamentos amorosos.
O destino dado ao serial killer varia de acordo com cada país. No Canadá, Inglaterra, Austrália e algumas cidades dos EUA a condenação é de prisão perpétua com cela de isolamento. Quando são menores de idade os psicopatas nesses países também podem ter como pena o isolamento do convívio social até que provem estar aptos para a liberdade.
Afinal, como foi visto no capitulo anterior dessa série, uma criança pode matar outras e o ideal seria receber tratamento e acompanhamento de modo a evitar que ela ataque novamente bichos ou pessoas. Outra penalidade aplicada em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, para casos menos graves de maus-tratos a animais, é a proibição do agressor adquirir novos bichos, além de perder a guarda dos que ainda estão sob seu poder.
No Brasil os psicopatas podem ser considerados semi-imputáveis (com consciência dos seus atos, mas nenhum controle sobre eles). Nesse caso podem ir para hospitais de custódia onde receberão tratamento e voltarão às ruas quando tiverem liberação psiquiátrica. Se forem punidos como criminosos comuns cumprirão o máximo de pena prevista no país que é de 30 anos e também serão liberados. Foi isso que aconteceu com o maior psicopata brasileiro: Pedrinho Matador – autor de mais de cem assassinatos.
“Matava pacas e macacos… acostumei!”
Pedrinho Matador (Foto: Reprodução/Internet)
Um dos mais famosos psicopatas do Brasil cumpriu pena de 34 anos, mas continuou matando até mesmo quando estava preso. Numa entrevista às TVs brasileiras em 2011, quando foi preso novamente em Camboriú (SC), Pedrinho Matador disse que só mata gente ruim e por vingança. Jamais mata mulheres e tem desejo de “acabar” com o Maníaco do Parque. A tatuagem “Mato por Prazer” diz que já tirou do braço.
Ele cresceu numa chácara em Minas Gerais onde matava pacas e macacos: “Acostumei a matar… depois passei a gostar. Gosto mais de matar com faca, estilete, mas também uso as mãos porque depende de cada traidor”, disse numa coletiva à imprensa em 2011. A “carreira assassina” de Pedrinho teve início aos 14 anos de idade quando matou um primo. Muitos anos depois matou o pai que estava no mesmo presídio que ele: “Mas só arranquei o coração dele, não comi não como dizem que fiz”.
Decapitou o próprio gato e a mãe
Não foi apenas Pedrinho Matador que treinou seus instintos violentos em bichos antes de matar pessoas. Edmund Kemper tinha o hábito de decapitar gatos e atirar em pássaros por volta de seus 13 anos de idade.
Nem o gato da família foi poupado tendo sua cabeça pendurada numa estaca. Kemper foi tão perverso em toda sua vida que é difícil acreditar que alguém como ele possa de fato existir.Matou avós, mãe, amiga da mãe, adolescentes e fez sexo com diversos cadáveres que decapitava.
Edmund Kemper (Foto: Reprodução/Internet)
Foi condenado à prisão perpétua em 1973, na Califórnia (EUA), pelo assassinato de oito mulheres, entre elas sua avó (quando ele tinha apenas 16 anos). Numa mesma tarde matou e decapitou a mãe e uma amiga dela que, inesperadamente, apareceu para uma visita. O júri considerou que Kemper gozava de saúde mental perfeita e o enviou para uma prisão comum. O dado curioso é que o próprio Kemper se entregou à polícia e durante seu julgamento disse que estava disposto a ser torturado até à morte.
Cegava pássaros com agulhas quando criança
Foto: Reprodução/Internet
Tudo aconteceu tão cedo na vida do militar americano Edward Leonski que quando ele estava com 24 anos, em 1942, já tinha sido condenado à forca pelo estrangulamento de três mulheres. Na confissão ele disse ter matado para “conseguir suas vozes.” Disse que uma delas cantou para ele enquanto à conduzia para casa: “Ela tinha uma bela voz e eu fiquei maluco por ela”.
Na investigação de sua vida pregressa, colegas de infância disseram que Edward tinha o mórbido hobby de cegar passarinhos com agulhas. Uma aberração que também pode ter alguma relação com o canto dos pássaros.
Esfaqueava animais que cruzavam seu caminho
Outro caso antigo aconteceu na Inglaterra dos Anos 50. Peter Manuel começou a praticar assaltos com 10 anos de idade e foi parar num reformatório. Libertado demonstrou ainda mais sua agressividade e era visto com frequência esfaqueando animais que cruzavam seu caminho na região rural onde passou a vagar. Eram animais do campo desgarrados de seus grupos ou cães que rodeavam as fazendas.
Na adolescência atacava garotas. Mais tarde atacou duas mulheres com martelo, sendo uma delas grávida. Assassinou duas garotas de 17 anos e dizimou famílias inteiras a tiros: uma deficiente mental de 45 anos, a filha e a irmã dela, 16 e 41, que viviam na mesma casa. Calmamente jantou antes de ir embora. Noutra residência matou pai, esposa e filho de 11 anos. Curiosamente, o gato da família escapou da chacina e Manuel contou aos investigadores que antes de ir embora fez questão de alimentar o bicho. Foi enforcado em 1958.
Índice da Maldade
O psiquiatra forense Michael Stone criou uma medida para classificar o os assassinos de acordo com seu nível de violência. Seu trabalho pode ser acompanhado por meio da série chamada Índice da Maldade exibida no Discovery Channel. Stone analisa as motivações, os métodos e a quantidade de mortes cometidas pelos assassinos.
A escala vai do número 1 ao 22, ou seja, desde pessoas normais que matam apenas em legítima defesa (nível mínimo) até os psicopatas assassinos e torturadores em série que, segundo ele, atingem o grau máximo de perversidade humana. Edmund Kemper, por exemplo,citado nesse episódio, seria da categoria 22.
Se a escala fosse transferida para os matadores de animais, teríamos aqueles que frequentemente torturam, incendeiam, mutilam, cegam ou espancam bichos até à morte no nível máximo do índice de Stone. No nível 19 estariam os pervertidos sexuais que estupram animais sem matá-los. No nível 15 os que matam vários animais numa mesma ocasião por envenenamento ou doses elevadas de sedativo, por exemplo. Aqueles que matam num momento de fúria a pauladas, facadas ou outras armas disponíveis no local do crime (sem premeditação) poderiam se encaixar no nível 13.
O Índice
1. Matam em legítima defesa e não apresentam sinais de psicopatia. (Pessoas normais)
2. Amantes ciumentos que cometeram assassinato, mas que apesar de egocêntricos ou imaturos, não são psicopatas. (Crime passional)
3. Cúmplices voluntários de assassinos: Personalidade esquizóide, impulsiva e com traços anti-sociais.
4. Matam em legítima defesa, porém provocaram a vítima ao extremo para que isso ocorresse.
5. Pessoas desesperadas e traumatizadas que cometeram assassinato, mas que demonstram remorso genuíno em certos casos e não apresentam traços significantes de psicopatia.
6. Assassinos que matam em momentos de raiva, por impulso e sem nenhuma ou pouca premeditação.
7. Assassinos extremamente narcisistas, mas não especificamente psicopatas, que matam pessoas próximas a ele.
8. Assassinos não-psicopatas, com uma profunda raiva guardada, e que matam em acessos de fúria.
9. Amantes ciumentos com traços claros de psicopatia.
10. Assassinos não-psicopatas que matam pessoas “em seu caminho”, como testemunhas – egocêntrico, mas não claramente psicopata.
11. Assassinos psicopatas que matam pessoas “em seu caminho”.
12. Psicopatas com sede de poder que matam quando estão encurralados.
13. Psicopatas de personalidade bizarra e violenta, e que matam em acessos de fúria.
14. Psicopatas cruéis e autocentrados que montam esquemas e matam para se beneficiarem.
15. Psicopatas que cometem matanças desenfreadas ou múltiplos assassinatos em uma mesma ocasião.
16. Psicopatas que cometem múltiplos atos de violência, com atos repetidos de extrema violência.
17. Psicopatas sexualmente perversos e assassinos em série: o estupro é a principal motivação, e a vítima é morta para esconder evidências.
18. Psicopatas assassinos-torturadores, onde o assassinato é a principal motivação, e a vítima é morta após sofrer tortura não prolongada.
19. Psicopatas que fazem terrorismo, subjugação, intimidação e estupro, mas sem assassinato.
20. Psicopatas assassinos-torturadores, onde a tortura é a principal motivação, mas em personalidades psicóticas.
21. Psicopatas que torturam até o limite, mas não cometem assassinatos.
22. Psicopatas assassinos-torturadores, onde a tortura é a principal motivação (na maior parte dos casos, o crime tem uma motivação sexual, mesmo que inconsciente).
Como é e age um psicopata
Alguns sintomas são bem evidentes e já foram descritos ao longo dos capítulos anteriores dessa série. O psicopata não tem empatia alguma, ou seja, é incapaz de se colocar no lugar do outro. Não sente piedade, não tem remorso, não se arrepende. Não teme cadeia e nem mesmo a morte. Vive procurando saciar seus mais mórbidos desejos e tem plena consciência de seus atos porque a parte racional de seu cérebro é completamente normal. A parte emocional é que apresenta deficiências.
O psicopata é ainda mentiroso (um verdadeiro ator podendo assumir dupla personalidade), manipulador e, por vezes, sedutor. E na maioria dos casos começa treinando seus métodos de tortura em animais, logo cedo. As causas dessa falta de sentimentos e obsessão por torturar e matar são diversas: pode ser genética, traumas e abusos na infância ou danos cerebrais. Mas uma coisa é certa: a psicopatia do nível mais elevado não tem cura.
Segundo Robert Hare, criador da Escala da Violência (mencionada no capítulo dois dessa série), em casos mais graves, quando a psicopatia leva ao canibalismo e rituais sádicos, não há nenhuma possibilidade de cura: “Nessas formas de violência os indivíduos devem ser confinados em celas especiais por toda a vida. Se for solto matará de novo”.
Uma forma rápida de descobrir qualquer tendência à psicopatia é analisando o comportamento diante de cenas de violência. As pessoas que mal podem vê-las, fechando os olhos diante de fotos e filmes “fortes” ou se arrepiando ao ouvirem falar delas não correm risco de se tornarem serial killers (como foi dito no primeiro capítulo).
Mas algumas pesquisas nesse campo mostram que há exceções à regra. O perverso Jeffrey Dahner (capítulo três da série) tinha um cérebro normal, sem excesso da parte racional em detrimento da emocional. Alguns cérebros de pessoas com comportamento pacífico mostram o contrário: parte emocional bem menos desenvolvida que a racional. Será que isso mostra que até os psicopatas têm escolha? Poderiam eles, mesmo diante de uma sede enlouquecedora de matar escolher outro caminho? Poderiam, ainda que inconscientemente, desviar seus instintos assassinos para outra atividade onde não prejudiquem bichos nem pessoas? É o que a Ciência tenta descobrir.
Acompanhe nos próximos capítulos da Série Matadores de Animais:
Psicopata Oculto e Inverso – Quem treina um pit bull ou galos para rinhas teria tendências psicopáticas ocultas, transferindo-as para os animais? O colecionador de animais, que pensa estar fazendo o bem, quando na verdade só piora a situação dos bichos que recolhe, seria um psicopata “inverso”?
E os primeiros episódios da série:
Caso Dalva e Alice no País dos Gatinhos Mortos, além do Caso Brenda Spencer, que matou dois adultos e feriu nove crianças quando tinha apenas 16 anos, mas já incendiava cães e gatos quando criança.
Médicos e enfermeiros com missão oposta: dispostos a tirar vidas das maneiras mais sádicas. No Brasil, yorkshire Lana comove o Brasil ao ser morta por enfermeira casada com médico. Veja ainda quadrilha de enfermeiras assassinas e o cruel Dahmer que mutilava e comia suas vítimas.
Crianças perversas – A importância de se deter o mal pela raiz. Na Austrália menino mata vários animais em 35 minutos de surto e ri enquanto promove o massacre. Existem crianças realmente más? O Brasil começa a relacionar casos de maus-tratos a animais com violência doméstica e outros crimes.

terça-feira, 17 de julho de 2012

"Não é mais possível dizer que não sabíamos", diz Philip Low Neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, e como essa descoberta pode impactar a sociedade



Epilepsia: especialistas estimam que 2% da população brasileira tenha a doença
Estruturas do cérebro responsáveis pela produção da consciência são análogas em humanos e outros animais, dizem neurocientistas (Thinkstock)
O neurocientista canadense Philip Low ganhou destaque no noticiário científico depois deapresentar um projeto em parceria com o físico Stephen Hawking, de 70 anos. Low quer ajudar Hawking, que está completamente paralisado há 40 anos por causa de uma doença degenerativa, a se comunicar com a mente. Os resultados da pesquisa foram revelados no último sábado (7) em uma conferência em Cambridge. Contudo, o principal objetivo do encontro era outro. Nele, neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Stephen Hawking estava presente no jantar de assinatura do manifesto como convidado de honra.
Divulgação
Philip Low
Philip Low: "Todos os mamíferos e pássaros têm consciência"
Low é pesquisador da Universidade Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), ambos nos Estados Unidos. Ele e mais 25 pesquisadores entendem que as estruturas cerebrais que produzem a consciência em humanos também existem nos animais. "As áreas do cérebro que nos distinguem de outros animais não são as que produzem a consciência", diz Low, que concedeu a seguinte entrevista ao site de VEJA:
Estudos sobre o comportamento animal já afirmam que vários animais possuem certo grau de consciência. O que a neurociência diz a respeito?Descobrimos que as estruturas que nos distinguem de outros animais, como o córtex cerebral, não são responsáveis pela manifestação da consciência. Resumidamente, se o restante do cérebro é responsável pela consciência e essas estruturas são semelhantes entre seres humanos e outros animais, como mamíferos e pássaros, concluímos que esses animais também possuem consciência.
Quais animais têm consciência? Sabemos que todos os mamíferos, todos os pássaros e muitas outras criaturas, como o polvo, possuem as estruturas nervosas que produzem a consciência. Isso quer dizer que esses animais sofrem. É uma verdade inconveniente: sempre foi fácil afirmar que animais não têm consciência. Agora, temos um grupo de neurocientistas respeitados que estudam o fenômeno da consciência, o comportamento dos animais, a rede neural, a anatomia e a genética do cérebro. Não é mais possível dizer que não sabíamos.

É possível medir a similaridade entre a consciência de mamíferos e pássaros e a dos seres humanos? Isso foi deixado em aberto pelo manifesto. Não temos uma métrica, dada a natureza da nossa abordagem. Sabemos que há tipos diferentes de consciência. Podemos dizer, contudo, que a habilidade de sentir dor e prazer em mamíferos e seres humanos é muito semelhante.

Que tipo de comportamento animal dá suporte à ideia de que eles têm consciência?Quando um cachorro está com medo, sentindo dor, ou feliz em ver seu dono, são ativadas em seu cérebro estruturas semelhantes às que são ativadas em humanos quando demonstramos medo, dor e prazer. Um comportamento muito importante é o autorreconhecimento no espelho. Dentre os animais que conseguem fazer isso, além dos seres humanos, estão os golfinhos, chimpanzés, bonobos, cães e uma espécie de pássaro chamada pica-pica.

Quais benefícios poderiam surgir a partir do entendimento da consciência em animais? Há um pouco de ironia nisso. Gastamos muito dinheiro tentando encontrar vida inteligente fora do planeta enquanto estamos cercados de inteligência consciente aqui no planeta. Se considerarmos que um polvo — que tem 500 milhões de neurônios (os humanos tem 100 bilhões) — consegue produzir consciência, estamos muito mais próximos de produzir uma consciência sintética do que pensávamos. É muito mais fácil produzir um modelo com 500 milhões de neurônios do que 100 bilhões. Ou seja, fazer esses modelos sintéticos poderá ser mais fácil agora.

Qual é a ambição do manifesto? Os neurocientistas se tornaram militantes do movimento sobre o direito dos animais? É uma questão delicada. Nosso papel como cientistas não é dizer o que a sociedade deve fazer, mas tornar público o que enxergamos. A sociedade agora terá uma discussão sobre o que está acontecendo e poderá decidir formular novas leis, realizar mais pesquisas para entender a consciência dos animais ou protegê-los de alguma forma. Nosso papel é reportar os dados.

As conclusões do manifesto tiveram algum impacto sobre o seu comportamento? Acho que vou virar vegetariano. É impossível não se sensibilizar com essa nova percepção sobre os animais, em especial sobre sua experiência do sofrimento. Será difícil, adoro queijo.

O que pode mudar com o impacto dessa descoberta? Os dados são perturbadores, mas muito importantes. No longo prazo, penso que a sociedade dependerá menos dos animais. Será melhor para todos. Deixe-me dar um exemplo. O mundo gasta 20 bilhões de dólares por ano matando 100 milhões de vertebrados em pesquisas médicas. A probabilidade de um remédio advindo desses estudos ser testado em humanos (apenas teste, pode ser que nem funcione) é de 6%. É uma péssima contabilidade. Um primeiro passo é desenvolver abordagens não invasivas. Não acho ser necessário tirar vidas para estudar a vida. Penso que precisamos apelar para nossa própria engenhosidade e desenvolver melhores tecnologias para respeitar a vida dos animais. Temos que colocar a tecnologia em uma posição em que ela serve nossos ideais, em vez de competir com eles.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Gata de 39 anos pode ser a mais velha do mundo































Uma família de South Wales, no País de Gales, descobriu que sua gata pode ser a mais velha do mundo.Lucy possui 39 anos de idade – ou o equivalente a 172 anos humanos, segundo cálculos dos veterinários, baseados na expectativa de vida dos felinos.
Apesar da idade avançada, a gatinha continua em boa forma e ainda caça ratos no quintal. Bill Thomas, dono de Lucy, herdou o animal da madrinha de sua esposa, que faleceu em 1999. Mas apenas quando uma tia mais velha o visitou que ele percebeu quão velha era a gata. “Ela viu Lucy e não acreditou. Ela se lembrou de travessuras da gata quando ainda era apenas um filhote, em 1972”, disse ao jornal Daily Mail.
Assim, Thomas decidiu levar Lucy a um veterinário, que confirmou a velhice da gata, mas não soube precisar sua idade. Porém, segundo Thomas, há outras testemunhas da cidade que podem comprovar a longevidade do animal.
Até o momento, o detentor do título de gato mais velho do mundo se chama Creme Puff e vive no Texas, Estados Unidos, com 38 anos de idade.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Comentário de CARLOS AUGUSTO RAMOS sobre a fala de PAULO SANTANA, jornalista do Jornal Zero de Porto Alegre, sobre o assassinato da cadela Pitbull no Campus da UFRGS

Sr. Santana,

O sr. realmente arvorou-se como o inimigo número 1 dos animais.


Além de ser um defensor intransigente dos maus-tratos e do assassinato de pitbulls, conforme o sr. já deixou claro, quando de forma oportunista e espalhafatosa fez a sua coluna "Cães Assassinos", a qual desmontei linha à linha (Até hoje aguardo sua resposta...), quando do trágico episódio de Capão da Canoa, vem o sr. novamente mostrar toda a sua arrogância e desprezo para com esses animais, ao defender o crime cometido contra um cão no campus da UFRGS.

Seguem minhas contestações em vermelho:

 "Chego e deparo com uma notícia intrigante: um vigilante da Rudder matou com um tiro de revólver na cabeça uma cadela pitbull.
Então, só pode ter sido legítima defesa.


Como é que alguém, ainda mais um jornalista (creio que seja, desconheço se o sr. tem alguma formação na área...), pode vir "à priori" defender que o assassinato do animal foi em legítima defesa ?
 O sr. não tem nenhum dado, nenhum fato, nada de concreto que lhe permita dizer uma coisa dessas.
A sua conclusão precipitada é baseada somente no seu preconceito e ódio devotado aos cães das raças pitbull e rotweiller, o que coloca a sua conclusão sobre forte SUSPEIÇÃO, pois não é isenta.
Já que o sr. se arroga no direito de fazer essa conclusão precipitada, apenas baseada em uma visão distorcida, preconceituosa e mal-informada (Argumentos que já refutei um a um quando da sua coluna "Cães Assassinos"...), vou dar aqui minha versão dos fatos, baseado nos meus próprios preconceitos:
Em minha opinião não foi legítima defesa. O que ocorreu foi que o vigilante, mal-remunerado, mal-treinado, com nível de instrução baixo, psicologicamente sem condições de portar uma arma, leitor assíduo da coluna do sr. Paulo Santana, foi influenciado por este a temer os cães da raça pitbull, depois que o "suposto" jornalista fez uma coluna sensacionalista (Cães Assassinos), eivada de preconceitos, de inverdades e desinformação, praticamente instigando a sociedade gaucha ao extermínio e aos maus-tratos contra esses animais. O referido funcionário da Rudder, pessoa de parcos recursos intelectuais e altamente influenciável, passava pelo pátio da universidade, quando viu o pacato animal, o qual convivia harmoniosamente com todos no campus, caminhando normalmente em sua direção e, não teve dúvidas, num ato de desequilíbrio emocional (muito perigoso para alguém que porta uma arma, aliás, esse tipo de acontecimento não é novidade entre nós...) sacou o revólver e matou o cão , sem nenhum motivo justificável, portanto, o fez à sangue-frio e por despreparo, por tanto, cometeu um assassinato.
Pergunto ao senhor se a minha versão vale mais do que a sua.
Respondo: Nenhuma das duas vale NADA, pois nem eu nem o sr. estavamos lá, ambos nos baseamos em nossos próprios preconceitos e/ou experiência sobre cães e vigias armados para concluirmos o que aconteceu, ou seja, fomos LEVIANOS.
De mim, que não vou ter minha contestação publicada em nenhum jornal de grande circulação ainda se perdoa, mas de alguém como o sr., que escreve na Zero Hora, é no minímo uma IRRESPONSABILIDADE, que esconde uma indisfarçável má-intenção.


Se o vigilante me chamar, eu deponho a favor dele no inquérito como testemunha de referência.


FALÁCIA !!!!!
Como já demonstrei acima o sr. está apenas jogando para a torcida, seja menos boquirroto e volte à razão, por favor...
Testemunha do quê, o que foi que o sr. viu para ser testemunha de alguém em alguma coisa ? 
Seu depoimento teria o mesmo valor que o meu, caso eu fosse depor contra o vigilante, afirmando ser ele um assassino despreparado e que matou o pobre animal à sangue frio, ou seja NENHUM valor.
Estariamos ambos cometendo crime de falso testemunho, estariamos depondo falsidades baseados em preconceitos que temos sobre os envolvidos nos fatos e dando a versão dauqilo que gostariamos ou que achamos que deveria ter acontecido. Sendo assim, sr. Santana, até em respeito ao seu passado, seja menos  sensacionalista e atenha-se aos fatos.


E, como sempre, agora ineditamente a pitbull como vítima, o noticiário diz que várias pessoas depuseram que a cadela era mansinha.
Mansinha?


Por que não ?  O animal convivia no campus com todos, inclusive convivia com os alunos em salas de aula e laboratórios. Novamente, o sr. está deixando o seu preconceito e a ignorância sobre os pitbulls falar mais alto que a razão, uma pena...
Quer dizer que o depoimento do vigilante vale mais do que o de todas as outras pessoas que conheciam o animal ?
São todos mentirosos e a verdade está com o vigilante ??? Não me parece ser essa a conclusão, conforme deixarei mais claro adiante...
Leio também que centenas de pessoas protestaram pela morte da cadela pitbull.
No Brasil, acontece uma coisa interessante: qualquer ser vivo que seja assassinado levanta a seu favor uma comoção popular, até uma cadela pitbull. Muitas vezes, mais comoção que a morte de uma pessoa.
Sr. Santana, coerência, por favor (Noto que seu raciocínio não anda muito claro ultimamente...), nos parágrafos acima o sr. afirmou que houve um ato de legítima defesa do vigilante, agora o sr. abre esse parágrafo praticamente rendendo-se à tese contrária de que houve assassinato (Que é a tese que muitos defendem na universidade...). Por favor, decida-se, foi legitima defesa ou foi assassinato ???????????????
Ok., vou concordar com o sr., foi um assassinato.
Mas, nesse caso, não sei porque o seu espanto. Qualquer ser vivo que tenha sofrido maus-tratos ou sido assassinado friamente merece uma comoção popular; ainda mais um animal não-humano que sofre todo tipo de preconceito e de barbárie e que não tem leis realmente aplicáveis, que os defenda, além de ter um articulista de um jornal importante pregando o seu extermínio (Isso não poderia ser enquadrado em alguma lei como crime contra os animais ? Instigação reiterada aos maus-tratos...);
Seja uma pitbull, seja um cavalo, seja um articulista como o sr., é importante que a sociedade não receba a barbárie como se fosse algo sem importância em nossa paisagem. Essas manifestações mostram, para mim, que alguma coisa ainda podemos salvar nessa sociedade hedonista em que vivemos, não acha ??
Essa sua visão ANTROPOCÊNTRICA, de que a sua vida ou de outro ser-humano valha mais do que a de outros habitantes do planeta (A maioria existente na Terra muitos milhões de anos antes do primeiro hominídeo aparecer...) está cada vez mais ultrapassada e defasada.
Creia-me, ela é uma das grandes responsáveis pelos desastres ecológicos e por toda sorte de danos que causamos aos outros seres, que tiveram, coitados, o azar e a desgraça, de ter a nós como parceiros de morada nesse planeta.
Mais uma vez, o sr. me surpreende negativamente.


Agora, esta coluna vai, em primeira e exclusiva mão, dar a versão do vigilahante, a qual consegui porque me interessam todos os casos sobre pitbulls e rottweilers.


Não sei quando o sr. conseguiu essa versão, mas lamento decepcioná-lo, ela NÃO é EXCLUSIVA, já circula em todas as redes sociais desde ontem à noite, sendo assim, ou o sr. é mal-informado, ou, pior, MENTE .


O vigilante declarou que era mais ou menos meio-dia da Sexta-Feira Santa quando ele estava atravessando o pátio da faculdade, com uma marmita na mão, ia esquentar a refeição.
De repente, a cadela partiu em disparada em direção ao vigilante, que foi pronto, houve tempo para que ele puxasse o revólver e atingisse a cabeça do animal, antes que este cravasse suas presas no corpo do guarda. A cadela, assim, morreu quase aos pés do vigilante.


Bem, nesse quesito, tenho a sorte (Ou azar, para o senhor...) de trabalhar para uma empresa terceirizada da UFRGS, que, por sinal, presta serviços naquele campus, inclusive na faculdade de veterinária.
Interessei-me pelo caso e já conversei com os encarregados e o supervisor daquela área e todos foram taxativos em relação ao seguinte:
1- O animal era muito manso e querido por todos os alunos, inclusive a informação de que a cadela frequentava as salas veio desse pessoal que trabalha lá. Todos, sem exceção, gostavam muito dela e dão o mesmo testemunho (Parece que o seu vigilante está sozinho nessa, quer dizer, só com o sr. nessa...);
2- A cadela tinha um defeito em uma das pernas (Não sei se congênito ou de maus-tratos anteriores....), que mal lhe permitia caminhar, quanto mais correr ou mesmo pular em alguém. Isso é um fato comprovável, inclusive em uma autópsia, bem como testemunhado por dezenas de pessoas.
No mais, sr. Santana, já se diz que há um vídeo das câmeras de monitoramento que desmontam totalmente a versão do vigilante e que já está com a direção da faculdade. Não pude averiguar a veracidade, mas é o que mais se comentou nessa manhã lá no campus do vale.
Diante disso, caro articulista, acho melhor o vigilante tentar mudar um pouco essa versão dos fatos, porque "não cola"... (quem sabe o sr. faz uma outra "exclusiva" com ele, pedindo para ele falar a verdade dessa vez ????...)


Mas ainda disse o vigilante (o mesmo, exatamente o mesmo, dirá à polícia): esta cadela já tinha mordido alguém em março lá na faculdade.


Bem, as pessoas com quem falei, várias de minha empresa que trabalham lá e que conhecem o animal, não sabem nada sobre isso, nunca ouviram falar que a cadelinha tivesse alguma vez mordido alguém lá no campus.
Se o vigilante afirma isso, cabe a ele o ônus da prova, acredito que uma ocorrência dessas teria sido registrada, ou não ??????  Ele testemunhou a suposta mordida ou alguém contou para ele que o amigo da irmã de um primo, viu que aconteceu com um conhecido, cousa e lousa... Piada, né ?
A seu exemplo, vou fazer aqui uma suposição, o vigilante estáMENTINDO de NOVO, tal como quando disse que a cadela veio em disparada na direção dele (Ele não lembrou do pequeno detalhe do defeito na perna, que a impedia de correr).
Creio inclusive, está mais do que na cara, que essa versão nem é dele, é do jurídico da Rudder, que teve tempo, desde sexta-feira para montar todo o "circo" à fim de safar a falta de responsabilidade e de equilíbrio de seu preposto (pena que não lembraram do defeito na perna, hoho...)


Este é o depoimento do vigilante, que esta coluna conseguiu ontem com absoluta exclusividade.


Novamente, a informação não é EXCLUSIVA, delírio seu, apenas...


O vigilante e a empresa Rudder, para quem ele trabalha, organização de vigilância de notável eficiência, estão tranquilos, porque a cadela estava sem focinheira, sem enforcador e sem guia como manda a lei. A dona estava em companhia da cadela e a fera solta no pátio.


Bem, se a empresa em questão tem notável eficiência ou não é somente sua opinião, aliás, uma opinião bem tendenciosa. 
A minha experiência como cliente de empresas de segurança, que não é pouca, não me permitem esse seu entusiamo de torcedor.


Isto serve de aviso aos donos de pitbulls: essa raça, sem enforcador e sem focinheira, é perigo máximo, mais gente vai atirar nesse tipo de cão se o animal atacar.


Concordo com o sr., enquanto desequilibrados estiverem portando armas, não só os pitbulls terão que temer, mas pessoas como eu e o sr. também, lamento dizer-lhe.


Cordialmente,


Carlos A. A. Ramos