quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Símbolos da cidade, gatos de Roma também sofrem com a crise

Os gatos de Roma, um dos muitos símbolos da capital da Itália, que são protegidos por lei e os únicos seres que podem subir, dormir e brincar nas esculturas do velho Império, se tornaram os mais recentes afetados pela crise.

Gato no sítio arqueológico da Torre Argentina, em Roma. (Foto: Thinkstock)

Os felinos que vivem nas ruas de Roma estão ficando sem a comida dada pelas associações protetoras dos animais, devido aos cortes no orçamento da prefeitura como consequência da crise econômica e financeira que castiga a Itália.
Associações como a "Earth" vêm advertindo desde junho de 2011 que o Escritório de Bem Estar Animal já não abastece as colônias de gatos da cidade com ração.
Segundo as estimativas dessas organizações, há 180 mil gatos de rua na capital romana, muitos deles agrupados em colônias como a do sítio arqueológico da Torre Argentina, em pleno centro, onde vive a maioria dos felinos da cidade.
Pelas ruínas da Torre - que data dos séculos 4 a 1 antes de Cristo - as centenas de gatos que vagam diariamente entre os templos formam a paisagem ideal para os turistas fotografarem, enquanto os felinos passeiam alheios à comoção gerada nos visitantes.
Para atendê-los, Lia Decquel e Silvia Viviani criaram em 1994 a Associação Cultural Colônia Felina da Torre Argentina, que se encarrega de alimentar os animais que vivem nas ruínas do centro e recolhe doações através de seu site.
Quem quiser ajudar os gatos da Torre Argentina pode fazê-lo através de trabalho voluntário, adotando algum animal ou simplesmente doando dinheiro aos responsáveis pela colônia, que por enquanto não sofre a falta de alimentos que afeta outras comunidades da capital italiana.
A associação oferece diversos tipos de adoção, que vão desde a clássica mudança do gato para a casa de seus novos donos, adoções à distância para os felinos que continuam vivendo nas ruínas e adoções para os casos mais urgentes, como os dos felinos que sofrem a síndrome da imunodeficiência felina (SIF), que é o equivalente ao vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da Aids.
Também há outras comunidades no cemitério Verona (com 416 animais), no hospital de São Camilo (com 130), em Villa Torlonia, nas arquibancadas de San Lorenzo, em Garbatella e na estação de trens e ônibus de Tuscolana.
Os gatos de Roma, cuja imagem, junto às célebres estátuas e monumentos da capital italiana, adorna os pontos turísticos, não sobreviveriam sem o apoio de muitos moradores da capital.
O perfil dos "gateros", - termo italiano para designar os amigos dos gatos - variou nos últimos anos: já não são somente senhoras que vivem sozinhas, entre os que ajudam estão esposas de diplomatas e princesas, aposentados, magistrados, desempregados e estudantes.
Foram estes "gateros" que começaram a se organizar para sustentar as colônias, onde além de alimentar os gatos, fazem o controle demográfico para que sua população não cresça e pagam as despesas veterinárias.
A encarregada da colônia das ruínas da Pirâmide, Matilde Talli, disse em seu site que no início do projeto tiveram dificuldades em conseguir o apoio dos responsáveis municipais destes sítios arqueológicos do século 1 a.C.
Em um momento de crise, no qual as famílias mais pobres de Roma recorrem às associações de caridade para sobreviver, a falta de alimento para os gatos romanos parece fora da pauta do debate público, mas é muito importante para os amigos destes animais, que pedem ao consistório que responda às necessidades dos felinos.
No início do século 20, o prefeito romano Ernesto Nathan pronunciou a frase "não há tripas para gatos" para pedir que seus concidadãos parassem de alimentar os felinos com uma das especialidades gastronômicas romanas, as tripas.
No entanto, os gatos de Roma se transformaram em um de seus mais prezados símbolos e são muitos os moradores e vizinhos que reivindicam a cada dia a proteção destes pequenos felinos de rua da cidade.

Fonte:http://br.noticias.yahoo.com/s%C3%ADmbolos-cidade-gatos-roma-tamb%C3%A9m-sofrem-crise-090533113.html

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cão salva dono após grave acidente de carro

Carro bateu capotou e despencou ribanceira abaixo em ilha da Escócia; cachorro correu quase 2 km para pedir ajuda ao dono

Parece mais uma história heróica de Lassie, a salva-vidas de Hollywood, mas é real. Donald McGregor sofreu um grave acidente de carro em uma ilha da Escócia chamada Kerrera.
Ele dirigia seu carro por uma rodovia em uma noite de muita chuva, quando bateu o carro em uma encosta, despencando morro abaixo.
A estrada estava deserta e o homem não tinha a quem pedir ajuda. Ele morreria ali mesmo se não fosse socorrido. Graças à ajuda de Zulu, seu fiel companheiro canino, Donald mudou o final desta aventura.
O terrier preto correu quase dois quilômetros para alertar a filha de Donald sobre o acidente. Ela, então, pôde chamar a emergência.
O herói Zulu correu quase dois quilômetros para chamar a filha de Donald - DailyMailO herói Zulu correu quase dois quilômetros para chamar a filha de Donald
Crédito: DailyMail
Caminhonete de Donald capotada após cair da encosta - DailyMailCaminhonete de Donald capotada após cair da encosta
Crédito: DailyMail
Mas o drama não parou por aí.
O homem de 62 anos de idade precisou ser carregado pela filha morro acima até um quadricículo, já que o helicóptero não conseguiu descer ao local, em razão do mau tempo. Eles pediram auxílio a um barqueiro para levar Donald até o continente, onde uma ambulância estava esperando por ele.
A filha do fazendeiro aposentado, Sheila MacGregor, de 32 anos, percebeu que havia alguma coisa errada assim que o cachorro a chamou em sua porta. “Quando o cão chegou, percebi que algo estranho havia acontecido”, conta ela.
“Assim que saí de casa, ouvi ao longe meu pai gritando. Peguei o quadricículo e fui até ele. O carro havia capotado em uma ladeira e caído de uma ladeira”, relembra Sheila.
O acidente aconteceu quando Donald voltava para casa às 18h, depois de pegar o barco da ilha principal até Kerrera.
Donald sofreu fraturas nas vértebras e costelas - DailyMailDonald sofreu fraturas nas vértebras e costelas
Crédito: DailyMail
Ele estava em sua caminhonete, como sempre, acompanhado de Zulu.
O homem foi jogado para fora do veículo quando capotou e arremessado por uma ladeira íngreme. O 4X4 parou mais abaixo na colina com o seu teto completamente esmagado.
O helicóptero de resgate não foi capaz de chegar à ilha por causa da chuva fortíssima que caía na região. Por isso, Sheila contou com a ajuda dos vizinhos para levar o pai até o continente.
A forte chuva impediu que o resgate chegasse até a ilha em que o acidente aconteceu - DailyMailA forte chuva impediu que o resgate chegasse até a ilha em que o acidente aconteceu
Crédito: DailyMail
Os amigos entraram em contato com barqueiro que fazia o trajeto até a ilha principal. O tempo era curto, Donald precisava de atendimento urgente, pois se temia que ele pudesse ficar com sérios problemas de locomoção após o acidente.
Em terra firme, uma ambulância já o esperava. Donald foi levado até o hospital e diagnosticado com diversas fraturas nas vértebras e costelas.

Fonte: http://petmag.uol.com.br/

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

PSICOPATIA E CRUELDADE COM OS ANIMAIS

Sacrifício de Animais

O sacrifício de animais em rituais religiosos é prática mal vista pela sociedade ocidental de uma maneira geral, tanto devido à crueldade envolvida quanto devido à má impressão visual que causam, associação dessas práticas com feitiçaria

O sacrifício de animais em rituais religiosos é prática mal vista pela sociedade ocidental de uma maneira geral, tanto devido à crueldade envolvida quanto devido à má impressão visual que causam, associação dessas práticas com feitiçaria etc. No entanto, muitas das pessoas que demonizam as religiões onde animais ainda são sacrificados ignoram que a crueldade envolvida no sacrifício de animais é similar à crueldade praticada quando o animal é abatido para consumo, seja por qual método seja.
A demonização dessas religiões, mais do que uma oposição ao sacrifício propriamente dito, denota um preconceito contra determinado sistema de crenças. Denota ignorância quanto ao fato de que todas as antigas religiões praticaram, em algum momento de sua história, o sacrifício de animais e/ou de seres humanos. O sacrifício está na raiz da maioria das religiões, ele não se configura em um ato isolado de determinado grupo. Condenar determinado sistema de crenças, qualificá-lo como inferior ou primitivo, em nada contribui com a causa animal. Todos os sistemas de crenças devem ser respeitados e dentro desse conceito, soluções devem ser buscadas para o problema do sacrifício de animais, jamais aceitando-o ou regulamentando-o, mas entendendo suas origens e buscando uma solução que se harmonize com as crenças dos grupos.

A demonização dessas religiões, mais do que uma oposição ao sacrifício propriamente dito, denota um preconceito contra determinado sistema de crenças. Denota ignorância quanto ao fato de que todas as antigas religiões praticaram, em algum momento de sua história, o sacrifício de animais e/ou de seres humanos.

Sacrifício é a prática de oferecer alimento, ou a vida de animais ou pessoas, às divindades, como forma de culto. O termo deriva dos radicais ‘sacro’ e ‘oficio’, ou seja, oficio sagrado. Os motivos para a prática de sacrifícios são variáveis, conforme o sistema de crenças de cada religião. Em algumas religiões, a palavra utilizada para sacrifício está associada à palavra “aproximação”, pois acredita-se que o sacrifício aproxima o devoto de sua divindade.

Alguns povos no passado acreditavam que parte do poder dos deuses só podia ser conservada às custas de constantes sacrifícios. Outros acreditavam que os sacrifícios não interferiam no poder dos deuses, mas sim os agradavam, de forma que colocavam o devoto em posição de negociar algum favor.

Havia também sacrifícios para aplacar a ira dos deuses. Animais ou seres humanos podiam ser ofertados como forma de expiar pelos pecados da comunidade. Os sacrifícios desempenhavam função social importante dentro de certos sistemas, pois eram uma forma do devoto oferecer alguma contribuição à instituição religiosa, uma forma de prover alimento para os sacerdotes e para os mais pobres. Dessa forma, após serem oferecidos aos deuses, os animais eram consumidos pelo devoto, pelos sacerdotes ou distribuídos aos pobres.

Os sacrifícios eram práticas diárias nas mais avançadas sociedades americanas pré-colombianas, sendo que algumas destas sociedades praticavam o sacrifício de seres humanos. A sociedade hebréia, os pagãos e animistas de todos os continentes, os romanos, gregos, os muçulmanos e as religiões derivadas dos cultos africanos, todas recorreram ou recorrem ao sacrifício de animais.

Os sacrifícios na sociedade hebréia


O primeiro sacrifício de animais citado na Bíblia foi realizado por Abel (Gen. 4:4), no entanto, este sacrifício e o realizado por Noé (Gen. 8:20) precedem o advento da religião judaica. Dentre os patriarcas, Abraão ofereceu um sacrifício de carneiro (Gen. 22:13) e Jacó é descrito como oferecendo dois sacrifícios, embora o texto não especifique o que tenha sido ofertado (Gen. 31:54 e Gen. 46:1).

O sacrifício de animais parece não ter sido estranho aos israelitas na época de escravidão no Egito (Êxodo 3:18), embora não haja evidencias de que isto fosse praticado neste período. Já na época do êxodo do Egito, os israelitas foram proibidos de imolar animais exceto como ofertas sacrificiais. Uma pessoa que abatesse um animal sem ofertá-lo no tabernáculo era considerado culpado por sua morte (Lev. 17:3-4). Já em Israel, os sacrifícios passaram a ocorrer no pátio do Grande Templo, em Jerusalém. (Lev 17:1-9, Deut. 12.5-7). Esporadicamente, outros lugares que não o Templo eram utilizados para sacrifícios (Juizes 2:5; Juizes 6:18-21, 25 e 1 Reis 18:23-38).

O livro de Levítico descreve em detalhes quais tipos de oferendas podiam ser oferecidas em cada ocasião e de que forma o sacrifício deveria ocorrer. As oferendas eram derivadas de vegetais (farinha, azeite, trigo torrado, bolos, incenso, vinho, etc), animais (bois, cabras, carneiros, pombas, rolinhas etc.) e em alguns casos minerais (sal).

Os sacrifícios eram classificados como:


- Sacrifício de expiação pelo pecado (Lev 4 e Lev. 6:24-30): Dependendo de quem cometeu o pecado e das condições em que fora cometido, eram ofertados novilhos, bodes ou cabras.

- Oferta pela culpa ou holocausto (Lev. 5, Lev. 6:1-13 e Lev. 7:1-10): Eram ofertados carneiros, cordeiras e cabritas, mas os menos abastados podia ofertar pombas, rolas ou mesmo farinha (fermentada ou não).

- Sacrifícios pacíficos ou de ação de graças (Lev 3; Lev. 7:11-20): Era um sacrifício queimado para agradar a Deus. Eram sacrificados bois, cabras e carneiros, mas também bolos de farinha com azeite, não fermentados.

- Oferta de manjares (Lev. 2:1-11 e Lev. 6:14-23): Era um sacrifício queimado para agradar a Deus. Eram usadas preparações à base de vegetais não fermentados e sal.

- Ofertas de primícias (Lev. 2:12-16): O propósito era agradecer pela abundância da colheita. Eram oferecidos os primeiros grãos coletados, ainda verdes, azeite e mel.

Maimônides (1135-1204) explica que os judeus na verdade não tinham a necessidade de realizar sacrifícios para Deus, mas isto passou a ser praticado em Israel por influência das tribos pagãs que viviam ao redor. Estes povos utilizavam estes rituais como forma de aproximar-se de suas divindades. De acordo com Maimônides, se um sistema não houvesse sido criado para que os israelitas praticassem rituais semelhantes aos pagãos para se aproximarem de seu Deus, possivelmente sacrificariam para deuses estrangeiros. Maimônides concluiu que a decisão de Deus de permitir sacrifícios era uma concessão às limitações psicológicas do homem, e não uma necessidade religiosa real.

De fato, na Biblia há muitas passagens que mostram que o Deus de Israel na verdade buscava pelas orações e o sincero arrependimento, e não o sacrifício:

“Sacrifícios e ofertas não quiseste; abriste os meus ouvidos; holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres.” (Salmo 40:6).

“Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te agradas de holocaustos.Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.” (Salmos 51:16-17).

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? – diz o SENHOR. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais cevados e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem vos requereu o só pisardes os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene. As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer.” (Isaias 1:11-14)

“E, ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei deles, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados.” (Amós 5:22)

“Tende convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao SENHOR; dizei-lhe: Perdoa toda iniqüidade, aceita o que é bom e, em vez de novilhos, os sacrifícios dos nossos lábios.” (Oséias 14:2)

Os sacrifícios foram abolidos há dois mil anos da sociedade hebréia, sendo substituído por orações.

Sacrifícios no cristianismo


O cristianismo, como religião, jamais utilizou como prática o ritual de sacrifícios, mas cristãos primitivos sem dúvida praticavam sacrifícios no Templo de Jerusalém até sua destruição no ano 70 d.C. Portanto cristãos e judeus deixaram de praticar sacrifícios de animais na mesma época. Há, no entanto, resquícios de práticas sacrificiais pagãs européias na tradição católica (touradas etc), o que mostra que pelo menos no início da cristianização da Europa, estes sacrifícios foram continuados, até sua definitiva incorporação à nova religião.

Na teologia cristã moderna, os sacrifícios não têm lugar visto que Cristo ofereceu-se a sim mesmo como sacrifício universal. A mera fé nisto conduz o devoto à salvação. No entanto, o culto e a eucaristia são práticas que remontam ao sacrifício, sendo a hóstia (no caso católico), a oferenda de carne. O simples fato de Jesus haver sido considerado uma oferenda válida mostra, porém, que o cristianismo aceita, teologicamente, a validade dos sacrifícios. Com efeito, o cristianismo não faria sentido sem a idéia de que Jesus serviu como um cordeiro sacrificial, para expiar pelos pecados do mundo.

Sacrifícios no islã

O período de peregrinação à Mecca (Hajj) é marcado por um rito sacrificial denominado Eid-ul-Adha (comemoração do sacrifício). Este sacrifício lembra que Abraão esteve prestes a sacrificar seu filho (que, de acordo com a tradição muçulmana não era Isaque, mas Ismael). Após as orações, aquele que têm condições leva um cabrito, uma cabra, uma ovelha, um camelo ou uma vaca, para serem sacrificados. A carne destes sacrifícios é compartilhada com a família e os amigos e um terço é dada aos pobres. Todos estes preceitos estão contidos na Surata Al-Hajj (o capítulo do Al-Corão que trata da peregrinação a Mecca).

No Al-Corão (22:37) está explicado que Deus não se beneficia da carne nem do sangue dos animais que são sacrificados, mas que a fé do devoto e sua boa intenção é que são considerados. O animal deve ser abatido tendo sua jugular cortada e seu sangue drenado. Não é permitido dar marretadas, eletrochoques ou perfurar o animal com qualquer objeto. Esta carne, apenas assim é considerada Halal, própria para consumo.

Sacrifícios no hinduísmo


O Yajurveda, um dos quatro Vedas, contém grande parte da liturgia e dos rituais necessários para a prática religiosa hindu. Isto inclui os ritos sacrificiais. No período de 1000 a.C. a 800 a.C., o hinduísmo passou a basear seu sistema de crenças na constante necessidade de sacrifícios. A população podia consumir a carne apenas de animais abatidos por brâmanes (sacerdotes). Neste período surgiu no hinduísmo o sistema de castas, o conceito de reencarnação e a concepção de que almas animais podiam evoluir até a condição humana.

Textos como o Ramaiana e outros demonstram que os sacrifícios de animais eram comuns na prática religiosa hindu. No século VI a.C., no entanto, devido a pressões ecológicas e o advento de novas concepções religiosas, os sacrifícios foram abandonado em sua maior parte. Neste período, seguindo o desprezo pelos sacrifícios, a salvação da alma passa a estar atrelada às boas ações do indivíduo, entre elas evitar causar mal aos animais.

Por não ser, no entanto, uma religião organizada, o hinduísmo permite uma variedade de rituais nitidamente destoantes. Ao passo que na maior parte dos lugares os Templos abriguem animais desamparados e os devotos lhes ofereçam alimentos como parte de seu rito, em outras regiões mais isoladas e menos abastadas animais e mesmo seres humanos continuam a serem sacrificados.

Isto é especialmente verdadeiro nos templos dedicados á deusa Kali: Em 14 de junho de 2003 um homem tentou sacrificar sua filha no Templo de Kamakhya, tendo sido detido pelos sacerdotes e preso pela policia. Na aldeia de Parsari, distrito de Sagar, em Madhya Pradesh, um sacerdote hindu foi preso em 27 de março de 2003 por sacrificar um homem. Embora sacrifícios humanos sejam proibidos, eles continuam a acontecer na Índia.

Sacrifícios eram também praticados em outras antigas religiões da Ásia. Confúcio descreve a existência de sacrifícios na China do século VI a.C.

Sacrifícios pagãos

O sacrifício de animais e seres humanos foi praticado por pagãos de todos os continentes. Muito se tem discutido sobre a condição dos druidas (sacerdotes celtas), se eles eram pessoas pacíficas e simpáticas ou, como nos queriam fazer crer os romanos, bárbaros sanguinários. É possível que tenham sido ambos, um pouco dos dois. Há evidências arqueológicas de que na religião celta havia sacrifícios de seres humanos, ainda que raramente. Os relatos de historiadores romanos e cristãos a esse respeito, embora provavelmente exagerados, dão alguma idéia da forma como esses rituais ocorriam.

Já com relação aos astecas, sabe-se que praticavam rituais de sacrifício humano praticamente diários. Esta era a forma que encontravam para aplacar a fúria do deus Huitzilopochtli, representado pelo Sol, e desta forma evitar catástrofes. Isto os colocava em constante guerra com seus vizinhos, pois com o intuito de evitar o sacrifício de seus próprios, sacrificava-se prisioneiros de guerra. Da mesma forma, os sacrifícios eram praticados na sociedade maia.

Sacrifícios eram praticados na cultura cretense minóica, pré-helênica, mas é possível que não como parte dos ritos diários, mas em casos especiais como para aplacar a ira dos deuses durante desastres naturais. Os sacrifícios durante este período evidenciam-se, além da arqueologia, pela perpetração de lendas relativas aos minóicos, como aquela em que a cidade de Atenas precisava enviar todos os anos sete rapazes e sete moças para Creta, para serem oferecidas ao Minotauro. Gregos e romanos ofereciam sacrifícios, principalmente de animais, em honra dos deuses.

Sacrifícios nas religiões africanas

A maioria das religiões africanas ainda pratica o sacrifício de animais e, em casos mais velados, também de seres humanos. Na antiga religião Zulu, ainda praticada na África do Sul, pessoas podem ser mortas não como parte de um sacrifício ritual, mas para que alguma parte de seu corpo seja utilizada como medicamento (Muti). Nesta forma de medicina, o pênis de um menino pode ser requerido pelo sangoma (curandeiro) para elaborar um elixir contra a impotência ou o estupro de uma virgem pode ser necessário para curar alguém de AIDS.

Os ritos sacrificiais africanos, trazidos para a América do Sul e Caribe no período colonial, ainda são praticados em muitas comunidades.

No candomblé, o sacrifício de animais é praticado pelo Axogun ou pelo Babalorixá. O primeiro que deve receber os sacrifícios é Exu, a quem é oferecida uma galinha. Em seguida o Orixá que se pretende contatar recebe sua oferta, sempre um animal quadrúpedes. Após morto e oferecido no ritual, o animal é consumido pelos devotos e seu couro pode ser utilizado para a confecção de instrumentos musicais.

No candomblé o sangue não apenas é vida, como possui uma energia elementar. O sangue e as visceras dos animais tem o objetivo de produzir axé, energia vital.

Apesar disto, há seguidores do candomblé que opõem-se à pratica de sacrifícios de animais, como é o caso do Pai-de-Santo Agenor Miranda Rocha.

Caio de Omulu não questiona a validade, ou necessidade, do uso de animais dentro da umbanda, mas sim sua freqüência. Prega que tais rituais deveriam ser exceção e não única prática como vem sendo realizado.

Não querendo discutir a validade do sacrifício no contexto do sistema de crenças de qualquer religião, a mera existência de locais onde estas mesmas religiões são praticadas sem a necessidade de sacrifícios de animais, rituais estes reconhecidos pelos centros onde animais ainda são utilizados, demonstra que a utilização de animais não é necessária. O ritual cumpre uma função que, mais do que uma obrigatoriedade religiosa, configura-se em uma forte impressão psicológica no devoto que a pratica.

Conclusões

Seja qual for a religião que pratiquemos ou não pratiquemos qualquer religião, um princípio que devemos ter claro é que o movimento abolicionista jamais deverá ser um movimento anti-religioso ou contra uma religião específica. Devemos procurar nos opor ao sacrifício de animais sem desmerecer o complexo de crenças dos indivíduos, porque a causa abolicionista não deve discriminar uma ou outra religião. As mesmas críticas que atualmente são dirigidas às religiões afro-brasileiras poderiam ser dirigidas a qualquer religião, porque o especismo encontra-se fundamentado em todos os povos, todas as religiões.

Devemos trabalhar, sim, a extinção do especismo em todas as religiões, porque embora ele esteja nelas impregnado, não é delas parte integrante. Queremos dizer que respeitamos a liberdade de culto e de fé, mas que isso não justifica a retirada de vidas. Queremos dizer que não somos superiores nem inferiores, e que também descendemos de povos e religiões que sacrificaram animais. Queremos dizer que o sacrifício de animais pode hoje fazer parte dos rituais de certa religião, mas que não precisaria ser assim; que eu outros lugares a mesma religião é praticada e que animais não são mortos.

Porque aquele que combate o sacrifício de animais desmerecendo a fé de um ser humano provavelmente não dispõe de qualidade moral suficiente para perceber que a utilização de animais para outros fins, o que erroneamente também pode ser chamado ‘sacrifício’, pode ser considerado tão ou mais sanguinário. Opondo-se ao sacrifício ritual, a pessoa não vê problema em consumir a carne de um animal abatido dentro de uma instituição que preze por seu “bem-estar”. Hipocrisia.

Porque se dentro daquela crença o sacrifício de animais agrada a um ser divino, aquele que condena esse ritual mas não o ritual diário em torno da mesa nas três refeições diárias, em verdade se coloca como um ser mais do que divino, a quem o “sacrifício” de animais para satisfação do apetite não fere nenhum conceito moral.

Artigo publicado na revista Pensata Animal em 13 de agosto de 2007
Fonte: http://gaepoa.org/site/articles/65-sacrif%C3%ADcio-de-animais

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Video Seda

ESPAÇO DO LEITOR: SEDA

A SEDA agradece as manifestações de apoio à causa animal

"Pela primeira vez na história, Porto Alegre está fazendo algo pelos 'nossos anjos irmãos animais'. O empenho, carinho, dedicação, compromisso e comprometimento são evidentes nesta gestão, em prol desta causa tão nobre. Jamais houve um olhar com respeito para os animais como está acontecendo agora. Foi criada uma campanha muito importante nesta época de férias e abandonos cruéis. Sabemos que tem muito ainda a ser feito, e parabenizo nosso prefeito José Fortunati e a nossa primeira-dama Regina Becker, pois ambos são amantes dos animais, e toda a equipe da SEDA. Creio que agora descortina-se um novo e promissor horizonte na proteção animal de nossa cidade. Que sirva de exemplo para tantas outras deste nosso imenso Brasil.
A parte triste é a despedida da nossa querida companheira de luta que é a Elena. Que ela seja muito feliz de volta à sua Terra Natal. Fica a saudade e a gratidão de tantas e tantas vidas salvas, hoje, em lares e famílias, que passaram pelas mãos dela".
Cristina Bayer


"Parabenizo à SEDA por tão nobre iniciativa. Estamos, com certeza, colocando nossa cidade entre as cidades que oferece melhor qualidade. Pois isso, também se avalia pelo respeito aos animais. É prova de civilização, educação e compaixão para com seres que necessitam de nossa tutela para sobreviverem. Somos responsáveis, somos cidadãos e é nosso dever é cuidar da vida, da natureza, dos animais".
Luis Felipe Pedroso Lopes

"Iniciativas como a criação da SEDA comprova o interesse dessa gestão na questão da proteção animal. Nosso prefeito José Fortunati e a primeira-dama Regina Becker estão de parabéns, bem como seus assessores e todos que compõem esta Secretaria".
Rejane Maria Lehugeur – Enfermeira da ESF Tijuca

"
Está realmente muito bom o Informativo da SEDA. Fiquei emocionada com a história dos bichinhos adotados. De fato, eles mudam a vida da gente. Sempre fui gateira. Desde criança, sempre tive um felino por perto. Aproveito e envio para vocês a foto da Ópera, minha gatinha que adotei no Orçamento Participativo da Zona Sul, em junho de 2011, numa noite fria de 9 graus. Ela estava no pátio onde acontecia a plenária, magrinha e desanimada. Agora, está linda e faceira. Futuramente, quero adotar um gato todo pretinho".
Clarissa Lima"Muito legal o Informativo da SEDA. Até me assustei quando vi meu depoimento publicado. Muito obrigada pela lembrança. Espero que as pessoas que o lerem deixem 'cair a ficha'".

Cris Guimarães – Instituto Visão Social"Estou totalmente agradecida pela atenção e o desempenho de vocês. Sou apaixonada por animais e, muitas vezes, me sinto impotente diante de certas situações. Mas agora fico mais aliviada de saber que posso contar com esta Secretaria que está de parabéns! Parabéns a todos!!!"

Tatielle Silveira"Castrei minha cadelinha, dia 2 de dezembro passado, e tenho muito a agradecer à SEDA, pois a Belinha passa muito bem".

Maria Helena de Bem/ bairro Rubem Berta – mensagem recebida pelo "Fala Porto Alegre" - 156
"Elogio a iniciativa da Prefeitura em relação aos cuidados com animais. Também parabenizo pela campanha de conscientização que está sendo realizada nas estradas. Recebi os folhetos que foram distribuídos na FreeWay, pelo prefeito José Fortunati e primeira-dama Regina Becker, e fiquei muito surpresa".
Maria Neli Vaz Pereira/ bairro Jardim Itu Sabará – mensagem recebida pelo "Fala Porto Alegre" - 156




Os benefícios da equoterapia no desenvolvimento humano



"A equoterapia é um dos métodos, talvez o único, que permite vivenciar-se tantos acontecimentos ao mesmo tempo, simultaneamente, e no qual as informações e reações são também numerosas".
(Dr. Hubert Lallery)


 
* Cynthia Bairros Tarragô  Carvalho 

A equoterapia começa a ter visibilidade no Rio Grande do Sul, e Porto Alegre tem sido referência na divulgação desse trabalho. Trata-se de uma modalidade terapêutica recomendada para vários tipos de patologias, assim como atendimentos de portadores de necessidades especiais físicas ou mentais, dificuldades de aprendizagem e comportamentais.

Tudo consiste, basicamente, no trabalho realizado com o cavalo, no cavalo e à cavalo, acompanhado de uma equipe multidisciplinar formada por especialistas das áreas de educação e saúde. As melhorias têm se mostrado significativas no desenvolvimento biopsicosocial do praticante, apontando resultados de 80% no convívio social.

A partir da recomendação médica e ou psicológica – entrevista com a família e adaptação da criança ou adulto – é feito um planejamento coletivo. Os terapeutas organizam estratégias para motivar o praticante, e as sessões são avaliadas periodicamente. Como professora da Rede Municipal e Equoterapeuta, em um Centro de Equoterapia na Zona Sul da Capital, posso afirmar que são inúmeros os benefícios desta prática, independente de suas diferentes necessidades. Em sala de aula regular não temos como conseguir tantos avanços, como nesta modalidade terapêutica com animal.

O trabalho é, acima de tudo, um prazer, estimulante e gratificante. É organizado em meio à natureza, com seus relevos, cores, vegetação e animais do entorno, em um picadeiro estrategicamente montado com vários estímulos audiovisuais e com material pedagógico específico para cada prática (letras, números, bolas, bambolês).

Aliado aos exercícios e intervenções dos terapeutas, os movimentos do cavalo e a relação que se forma entre o praticante e o animal se traduzem em diferentes respostas e aprendizagens. Só o fato de cavalgar já promove um efeito do movimento tridimensional (horizontal, vertical e esquerda e direita com o quadril). São 1,8 mil ajustes tônicos, sem contar os 120 a 180 estímulos que a andadura emite ao cérebro, facilitando os avanços em menor tempo.

Diferentes patologias, como autismo, déficit de atenção, hiperatividade, deficiências físicas e mentais fazem parte do nosso cotidiano.  Em todos os casos, cabe destacar a relação de confiança, amizade e carinho que se constitui entre o praticante e o cavalo.

Citando como exemplo um caso de dificuldades na alfabetização, costumo dizer que, primeiro, ensinei ao cavalo. Ele leva o praticante até a letra, o número ou a cor solicitada, facilitando o posicionamento para a criança ter acesso ao material. As atividades lúdicas e a musicalidade também repercutem positivamente.

Enfim, está comprovada a grandeza deste método terapêutico que, utilizando o cavalo como principal agente de recuperação, resgata valores primordiais da espécie humana, tais como cuidado, amor, solidariedade, amizade e respeito, que já andam meio descaracterizados neste mundo tão violento e carente de atenção.

Professora da EMEF Anísio Teixeira e especialista em Séries Iniciais/ Equoterapia

Coordenador da ONG Olhar Animal diz que redes sociais mudaram o comportamento humano com esses seres




"Mesmo às custas de tanto sofrimento e violência, as pessoas estão se sensibilizando com a causa animal". Foi o que disse o coordenador da ONG Olhar Animal Maurício Varallo, em entrevista ao Programa Visão Social, da Rádio Universidade (UFRGS).


Segundo ele, as redes sociais são a ferramenta responsável por este novo olhar e que, a cada dia, tem ganhado mais espaço nos meios de comunicação. "Diariamente tomamos conhecimento de maus tratos aos animais, e vejo nisso um aspecto positivo. São centenas de mensagens enviadas aos veículos de comunicação. Tudo na internet é questão de minutos e a resposta é muito rápida. Espero, no entanto, que, através do clamor popular, as penas previstas na Lei 9.605/98 sejam definitivamente cumpridas e que se faça justiça", afirma Varallo.


O coordenador da ONG Olhar Animal também foi um dos coordenadores da campanha pela implantação da primeira Promotoria de Defesa Animal do Brasil, com sede em São Paulo. De acordo com Maurício Varallo, a ideia é intensificá-la em 2012, para que cada Ministério Público Estadual tenha um órgão que defenda esses seres e cobre do poder público a responsabilidade sobre a tutela dos animais. "Existem as promotorias de Meio Ambiente, mas elas são muito ineficazes e tratam o animal como uma questão secundária. Na verdade, a Promotoria de Defesa Animal ainda está por vir. O que existe em São Paulo, e agora se vislumbra em Santa Catarina, são grupos especializados que atuam com foco nesses seres", conclui.


Mais informações sobre a ONG Olhar Animal pelo site www.olharanimal.net.


Programa Visão Social

O Visão Social, pioneiro na América Latina, é voltado à divulgação de projetos e ações de responsabilidade sócio-ambiental. O programa é transmitido para mais de 20 países, todas as quintas-feiras, às 13h, pela Rádio Universidade ou pelo site www.visaosocial.inf.br, após a sua veiculação.